São Tomé: 2º dia

Em São Tomé o sol nasce às 5 da manhã e pouco depois já está um calor dos ananáses. 

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Alugamos um carro e rumamos a sul. De dia a cidade continua-me a parecer suja mas já com alguma piada. Edifícios lindos, de varandas rendilhadas, traça puramente colonial, grandes janelas, fachadas cores pastel.

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De um lado o mar,  a baía Ana Chaves, do outro vegetação cerrada. É por aí que vamos, rumo a à Roça Monte Café, 30 minutos de carro ilha dentro. 

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Já foi uma das principais da ilha, agora também está ao abandono, como todas as outras. Mal saímos do carro somos abordados pelo “Dr. Paulino”, senhor de 82 anos, neto de escravos angolanos que vieram trabalhar para São Tomé. Aqui na roça nasceram os pais, os filhos e os netos. ” o pior que nos aconteceu foi a democracia” afirma à boca cheia, enquanto vai  mostrando os antigos armazéns onde se secava o café e o cacau .

” Dantes tínhamos direito a matabicho, almoço e jantar, vinho da pipa e café antes de ir trabalhar. Agora o estado deu-nos lotes mas ninguém os cultiva, ninguém quer trabalhar.” 

Despede-se com um sorriso e uma chávena de café, maravilhoso,  do muito pouco do que ainda aqui se produz.

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Seguimos para perto, Roça da Saudade onde fica a casa Almada Negreiros, onde este nasceu. Uma vista soberba sobre a ilha, uma pequena venda de artesanato, um restaurante com comida típica da ilha. 

Muito perto fica também a cascata São Nicolau, uma das muitas lindas cascatas que há nesta ilha. 

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Ainda não é desta que damos um mergulho, a altitude refresca o ar, quase nos esquecemos do calor que já passámos. 

Chegou a hora de seguir de carro para sul à beira da costa. Pelas estradas há que ter cuidado com as crianças, os cães, os porcos, as galinhas e as cabras. Já para não falar da roupa que seca ao sol estendida nas bermas. 

Espreitamos das pontes para os riachos cobertos de trapos coloridos que as mulheres da terra lavam nas pedras à laia de tanque.

Parece que tudo vive à beira da estrada que serpenteia à beira mar, curva e contra curva revelam se baías lindas, praias de sonho tropical.

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Paramos na Praia Melão, pequena vila piscatória, areal pejado de barcos de madeira e mar cheio de miúdos nus, cor de chocolate, aos saltos por entre as ondinhas.

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Mulheres sentadas à sombra a perscrutar o horizonte, a calma de um domingo sem pressas. Ou será sempre domingo por aqui? 

Homens sentados à porta de barracos de madeira jogam cartas e bebem cerveja. O calor é contraproducente, se dúvidas restassem.

Paramos no Mira d’Ouro para a primeira Rosema da viagem. Uma vista fantástica sobre uma praia de calhau, não fosse São Tomé uma ilha de origem vulcânica. O mar muito azul e as palmeiras muito verdes contrastam com o preto das pedras. 

À porta, Adelaide pede para lhe tiramos uma foto para mostrarmos à filha Sandy que está em Portugal há 10 anos. Faz um sorriso do tamanho do abraço que gostaria de dar à filha.

Próxima paragem será já só em São João dos Angolares uma antiga roça recuperada  pelo Chef João Carlos Silva que de há uns anos para cá organiza aqui almoços de degustação do melhor que se faz com os produtos da terra.

 

A antiga casa principal recuperada é linda. O alpendre onde é servido um almoço é de sonho, com uma vista única sobre o coqueiral até ao mar.

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A refeição em si soberba: meia dúzia de entradas geniais e um calulu de galinha do campo como prato principal. Uma espécie de ensopado com óleo de palma, abóbora, espinafres, quiabos, batata doce, tomato e alho e uma mão cheia de especiarias da terra.  

 

Prescindimos da sobremesa mas asseguram-nos que é uma perda. Já temos razão para voltar ;-).

O almoço animado pelas explicações de João Carlos Silva arrasta se até meio da tarde, as varandas da casa, onde sopra uma brisa a cortar a canícula, chamam pela preguiça, uma sesta ou um livro. Relutantes partimos para mais uma hora de caminho numa estrada que já teve melhores dias. 

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Não vou mentir, o último troço rumo à Praia de Inhame, lá mesmo no extremo sul castiga- nos o corpo num abano sem fim. O jeepzito alugado é fracote e chegamos ao destino em estado de milk shake. 

O nosso poiso é o Ecolodge da Praia de Inhame, uma dúzia de cabaninhas de madeira no meio da vegetação, à beira mar, uma praia linda em formato de meia lua virada para o Ilhéu das Rolas. 

Como é eco não há ar condicionado, os empregados têm rastas no cabelo e há um programa de preservação das tartarugas marinhas. 

Chegamos a tempo de vermos uma dúzia destas que nasceu nesta tarde a serem encaminhadas para o mar. Explicam-nos que mal estas nascem já tem os as “ferramentas” necessárias para sobreviverem no seu meio ambiente. A natureza é mesmo fascinante. Mesmo assim só – por 5 por cento chega à idade adulta que nas tartarugas é aos 50 anos.

Jantamos no restaurante do lodge, caranguejo, salada de polvo, peixe grelhado ao som de um grupo de são tomenses que canta e dança com mais alegria do que propriamente jeito. 

Felizmente pela noite o sono vence o calor e apesar da ausência de ar condicionado conseguimos dormir até benzito… até sermos acordados ao raiar do sol com os galos a darem sinal que nasceu um novo dia…. paraíso com galos é outra coisa 😉

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